Como primeiro post do ano de 2011, achei interessante relembrar um dos meus melhores momentos de 2010: minha viagem para a Finlândia. Talvez este país nunca tenha estado no roteiro de viagem da maioria de vocês e muitas se perguntem por que danado eu fui logo para um país tão longe e frio. Eu explico, razões não faltam!

O desejo de conhecer a Finlândia não teve nada a ver com a Becky Bloom, com o Mika Hakkinen ou com o Kimi Räikkönen. Meu namorado fez muitas viagens pra lá nesses últimos tempos e me contou muitas histórias, falou de lugares que visitou, de restaurantes e de comidas diferentes que experimentou, da educação das pessoas, do respeito, do frio, da segurança… de uma cultura que é muito diferente da nossa.
Foi por tudo isso que arrumei as malas e viajei quase 10 mil quilômetros. Fui conhecer o lugar mais diferente em que eu já havia estado e, por incrível que pareça, o que eu mais me senti em casa.
Um aviso aos navegantes: este post será longo!
Fonte: TimeAndDate
A Finlândia é um país nórdico, fica no norte da Europa e faz fronteira com a Suécia a oeste, com a Rússia a leste e com a Noruega ao norte. Sua capital é Helsinki, ou Helsínquia, e foi exatamente para lá que fui.
Fonte: Wikipedia
A população da Finlândia está concentrada ao sul do país, e apesar de ser o oitavo maior país da Europa – em termos de área – é o país menos povoado da União Europeia. Cerca de 75% da área terrestre do país estão cobertos por Taiga (ou floresta boreal), com pouca terra arável. Um quarto do território finlandês situa-se a norte do Círculo Polar Ártico, onde é possível experimentar o Sol da meia-noite. No ponto mais setentrional da Finlândia, o Sol não se põe durante 73 dias no verão e não nasce durante 51 dias no inverno.
Eu poderia falar inúmeros detalhes sobre a Finlândia, mas acredito que vocês podem encontrar essas informações e curiosidades aqui na Internet mesmo. Então prefiro contar alguns aspectos observados totalmente sob minha ótica =)
Mais sobre a Finlândia: Wikipedia, Visit Finland e Finland.

É incrível como não existe analfabetismo (33% da população têm grau superior). Apesar de não falar o finlandês (língua oficial junto com o sueco), não senti a menor dificuldade em me comunicar, todos falam inglês, exceto os motoristas de ônibus, que aparentemente entendem, mas não respondem =P Percebi que é comum encontrar vendedoras em lojas que falam mais de 4 línguas. Não se espante se alguma responder em português quando perceber que você é do Brasil.
O respeito com o espaço do outro é algo que a gente não vê por aqui. Você não vai encontrar ninguém falando alto e invadindo seu espaço com um barulho que você não pediu, não será incomodado em uma fila com alguém que insistem em ‘colar’ em você, nas escadas-rolantes, normalmente o lado esquerdo fica livre para quem tem pressa e resolve subir ou descer andando mesmo… e nada disso significa encontrar pessoas ranzinzas ou mau-humoradas, muito pelo contrário.
Percebi um grande respeito com a natureza, começando pelo incentivo ao uso do transporte público até com as sacolinhas plásticas de lojas e supermercados. Não importa se você comprou um computador caríssimo, se quiser uma sacolinha vai ter que pagar. A maioria das pessoas já possui sua bolsinha de compras ou anda com mochila. Foi um ótimo exemplo pra mim e está nas minhas metas para 2011, então vocês vão me encontrar muito de mochila por aí.
Dentro do tram.
Falando em transporte público, achei o de lá perfeito. Tínhamos um cartão onde colocávamos crédito e que podíamos usar no ônibus, metro ou nos trams, que é tipo um bonde elétrico. As paradas indicam os transportes que passam, a rota, a hora de chegada, tudo muito preciso e pontual. Não senti a mínima necessidade de usar um táxi ou ter um carro. Se você der uma passadinha por lá e precisar pegar um tram e este parar na sua frente e não abrir a porta não se assuste. Existe um botãozinho que você aperta para a porta abrir. Afinal, não é legal, pra quem está lá dentro, ter uma porta abrindo e fechando jogando um vento frio de -15 ºC sem necessidade.
Lá em Helsinki você encontra restaurantes de diferentes países e é uma experiência legal visitar alguns deles. Fui a restaurante Italiano (Don Corleone), Russo (Kasakka), Mexicano (Santa Fé), Nepalês (Mount Everest), típico Finlandês (Zetor e o Salve), Grego (Minos) e por aí vai! Provavelmente você vai encontrar sabores não muito comuns por aqui, como um prato típico finlandês à base de carne de rena. É bom, mas não é uma delíiiiiicia. O sabor da carne de rena é um pouco forte pra mim =P O café da manhã possui algumas coisas bem diferentes das que estamos acostumados como, por exemplo, salmão defumado, sardinha crua, cogumelos, copa e pães integrais de vários tipos.
Prato com carne de rena do Zetor.Fonte: TripAdvisor
Eu diria que a culinária russa também é um tanto quanto exótica, mas eu achei deliciosa! Essas são algumas fotos dos pratos que pedimos no Kasakka. Recomendo.





Este aqui foi do restaurante nepalês:


Se forem à Finlândia, não deixem de experimentar o Salmiakki. Um confeito de sabor meio salgado, obtido a partir do cloreto de amônio (NH4Cl). A palavra salmiak(ki) vem do latim sal ammoniac que quer dizer “sal de amônia”. Além do confeito, o salmiakki também é usado para dar sabor à vodca. Recomendo bastante esta segunda opção. O confeito em si é bem estranho para nós brasileiros… os finlandeses e noruegueses adoram =)
Salmiakki com os amigos Hélio e Vivi.
Se eu pudesse escolher a sensação mais diferente que senti eu diria que foi a de segurança, sem dúvida. Não existe o medo de ser assaltado, furtado, agredido, enganado… e, para mim, essa segurança foi a melhor forma de liberdade que eu já senti.

Não fui a muitos pontos turísticos, não me acabei de comprar e nem bati perna em museus recheados de história. Eu simplesmente fiz exatamente o que mais gosto quando viajo: procuro viver a cultura do local em todos os aspectos. Gosto de entender como as pessoas vivem, como fazem compras, como se divertem em família, o que comem… não viajo para reclamar que as pessoas não agem como nós ou que lá é assim ou assado e não me jogo no primeiro restaurante brasileiro atrás de feijão. Eu mergulho em todas as regras e formas de viver daquela sociedade, procuro saber como me comportar e o que posso ou não fazer. Odeio turista que chega por aí tentando empurrar goela abaixo suas manias e costumes. Talvez por causa disso, eu nunca tenha sido mal tratada ou discriminada em nenhum país que visitei.
Ficar imersa, mesmo que poucos dias, em uma cultura diferente me fez aprender muitas lições e, para mim, é isto que realmente importa =) Para não perder o costume, mais algumas fotos:






















Espero que tenham gostado. Beijos!
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